Porque Psicanálise?

Porque psicanálise?

Existem muitas linhas de trabalho no campo da saúde mental e isso pode ser desconcertante. Embora não haja garantias de que qualquer abordagem possa funcionar sempre e para todos os casos, pode-se justificar a escolha pela linha adotada e explicitar o que esperar dela. Se, depois de ler o texto abaixo, você se sentir inclinado a começar uma análise, entre em contato comigo para marcarmos uma entrevista para decidirmos juntos se uma análise é de fato interessante para você neste momento.

Um pouco de história

Não se pode falar da psicanálise sem voltar à sua história, pois a psicanálise tem uma origem, um ponto de partida, na pessoa de Sigmund Freud. Freud era um neurologista praticando em Viena no final do século XIX e início do século XX, que se deparava, em sua clínica diária, com diversos pacientes que apresentavam sintomas que não podiam ser explicados organicamente nem respondiam à qualquer terapêutica médica. Isso impulsionou-o a criar uma nova terapêutica, realizando uma pesquisa clínica que permitiu elucidar a origem e a estrutura dessas formações sintomáticas. De início ele chamou seu novo método de “cura pela palavra”, logo propondo o termo “psicanálise” (1896), indicando que esta abordagem busca abrir as construções sintomáticas complexas tais como inibições, transtornos de humor, compulsões e outras formas de sofrimento, dando ao analisando novas possibilidades de pensar e de se posicionar diante de suas relações e conflitos.

A psicanálise conta com seu próprio conjunto de conceitos e corpo teórico, sendo um campo distinto da psicologia e psiquiatria. Tem sido continuamente praticada em todo o mundo, recebendo contribuições de praticantes contemporâneos, o que a mantém atualizada e apta a lidar com formas contemporâneas de sofrimento. Tornou-se um objeto de interesse de linguistas, filósofos, escritores, artistas, educadores, praticantes do campo da saúde em geral, mantendo com todas essas áreas um diálogo aberto que beneficia todos.

Porque escolhi a psicanálise?

A psicanálise possui uma teoria da psique muito consistente, sintética, ousada e abrangente, permitindo a compreensão e o tratamento de uma grande variedade de manifestações psíquicas. Ele vê a psique como um todo dinâmico, elucidando sintomas tais como inibições, compulsões, manifestações psicossomáticas, transtornos do humor e outros, assim como a sua relação com os processos psíquicos cotidianos tais como o amor, os sonho, os devaneios, as piadas, os esquecimentos, entre outros. Nesta visão dinâmica, o sofrimento mental não é visto como deficiência ou falta, mas como uma tentativa parcialmente mal-sucedida de responder a questões que se provaram muito desafiadoras, conflituosas ou opressivas para uma pessoa devido à sua história de vida. Em outras palavras, para a psicanálise o sofrimento mental tem um papel e uma função que precisam ser elucidados em cada caso em particular, para que se possa dar lugar a novas possibilidades de pensar. Isso significa que a psicanálise trabalha ao nível da singularidade – uma depressão não é idêntica à outra – buscando entender o “o que, porquê, e para que” do sofrimento psíquico, para que possa ser abandonado ou modificado. É um processo de longo prazo que traz resultados consistentes, mas pode ter também efeitos imediatos; mudanças podem ser vividas ao longo de todo o processo.

A teoria psicanalítica concebe os sujeitos como seres históricos e sociais, ou seja, como sujeitos formados em relação às demandas sociais e circunstâncias concretas de seu lugar e tempo. Tem, portanto, uma compreensão única e muito consistente da inter-relação entre realidade concreta, cultura e psiquismo. Pode então ajudar sujeitos de diferentes origens, crenças e culturas, trabalhando simultaneamente ao nível da singularidade e do seu contexto sociopolítico.

Foi essa possibilidade de trabalhar na singularidade, sem no entanto isolar o sujeito de seu contexto histórico e social, que me fez optar pela psicanálise. O estudo da teoria é fascinante e os efeitos no analisando duradouros e consistentes.

Como o processo se desdobra?

Uma vez que na psicanálise trabalha na singularidade, não se pode dizer de antemão quanto tempo o processo durará nem a frequência das sessões; isto poderá ser avaliado e discutidos na(s) entrevista(s) que precedem a análise. Caso se decida iniciar uma análise faz-se um contrato verbal com todos os detalhes de seu funcionamento.

A duração das sessões pode variar mas é bom dispor para tal de cerca de 45 minutos.